Nova leitura sobre o crédito rotativo abre espaço para ajustes regulatórios
Abecs – A associação que representa as empresas de cartões de crédito afirmou recentemente que o famigerado rotativo tem influência muito menor na inadimplência do que o mercado costuma acreditar, ainda que permaneça no radar das autoridades como parte da engrenagem do endividamento das famílias.
- Em resumo: Entidade descola o rotativo do epicentro da inadimplência, mas reconhece a necessidade de revisão do modelo.
Dados internos confrontam percepção de risco
A declaração da Abecs ocorre em meio à discussão sobre um possível teto de juros para o rotativo – tópico que ganhou força após o Banco Central admitir “preocupação social” com a modalidade. Em comunicado ao setor, a entidade revelou análises que mostram participação menor do rotativo nos calotes totais, contrariando o senso comum e parte da classe política. Segundo relatório da Reuters, o governo estuda limitar a taxa hoje acima de 400% ao ano.
“O impacto do rotativo na inadimplência é menor do que se imagina e o setor segue comprometido em avançar em educação financeira”, destacou a Abecs em nota oficial.
Por que isso importa para o bolso e para o mercado?
Com a Selic em 12,75% ao ano e a inflação projetada abaixo de 5%, o custo do crédito gira em torno de um debate amplo: como aliviar o orçamento das famílias sem sufocar a rentabilidade das instituições financeiras. Hoje, o endividamento das famílias brasileiras ronda 78% da renda, de acordo com dados mais recentes do Banco Central. Se o rotativo realmente representa fatia menor dos calotes, a pressão regulatória pode migrar para outras linhas, como parcelados sem juros ou empréstimos pessoais, redirecionando investimentos das administradoras de cartão e influenciando a estratégia dos bancos.
Além disso, um eventual teto de juros poderia alterar a precificação de risco e abrir espaço para produtos alternativos, como o buy now, pay later, já observado em mercados norte-americanos e europeus. Investidores acompanham o desfecho porque qualquer mudança na receita de cartões impacta diretamente as margens das gigantes de pagamento listadas na B3.
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Crédito da imagem: Divulgação / Abecs