Gestão ativa perde fôlego em meio a guerra e volatilidade no mercado
Anbima – No acumulado de janeiro a março, os fundos de ações registraram retorno positivo, mas ainda assim ficaram atrás do Ibovespa, reforçando a dificuldade da gestão ativa em um cenário de conflitos geopolíticos e oscilações cambiais.
- Em resumo: ações ganharam, mas o índice de referência ganhou mais; multimercados ficaram abaixo do CDI.
Ibovespa resiste melhor aos choques externos
Enquanto os gestores precisaram lidar com ajustes abruptos de carteiras, o Ibovespa foi protegido pela força de empresas de commodities, que se beneficiaram da disparada dos preços do petróleo e do minério em meio à incerteza provocada pela guerra na Ucrânia. Dados compilados pela Reuters mostram que os setores de mineração e petróleo sustentaram o índice, algo que muitos fundos subponderaram para não concentrar risco.
Segundo a Anbima, “a concentração em papéis de menor liquidez, mais sensíveis à aversão ao risco global, limitou a performance média dos fundos de ações no período analisado”.
Multimercados: taxa de juros vence os gestores
Se os fundos de ações perderam do Ibovespa, os multimercados sentiram ainda mais. A rentabilidade média da categoria ficou abaixo do CDI, referência conservadora de renda fixa. Parte da explicação está no posicionamento comprado em bolsa e vendido em dólar, estratégia que sofreu com a inversão abrupta de tendências após novos capítulos do conflito internacional e sinalizações divergentes de política monetária nos Estados Unidos.
Os números reforçam o debate sobre custo versus benefício da gestão ativa. Num trimestre em que o Banco Central do Brasil manteve o ciclo de cortes da Selic em ritmo moderado, aplicações indexadas ao CDI seguiram entregando retorno quase sem volatilidade, desafiando a atratividade de fundos com taxas de administração superiores a 2% ao ano.
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Crédito da imagem: Divulgação / Anbima