Divulgação tardia de documentos acende sinal amarelo para investidores
Oncoclínicas – Na última quinta-feira (2 de abril), minutos antes do feriado de Páscoa, a companhia soltou, às 17h25, atas que confirmam votos contrários de dois conselheiros a um acordo estratégico, escancarando fissuras no alto escalão e levantando dúvidas sobre a solidez da governança.
- Em resumo: Conselheiros Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos divergem publicamente do restante do board.
Voto em separado expõe diferença de visão sobre expansão
Nos documentos, tornados públicos quase no apagar das luzes do pregão, Grodetzky e Matos deixaram claro seu desacordo quanto aos termos do acordo debatido. Segundo apuração da NeoFeed, a dupla teme impactos financeiros e de controle que poderiam pressionar o caixa da rede de oncologia.
Os conselheiros registraram que o pacto “não atende ao melhor interesse da companhia e de seus acionistas minoritários”, conforme consta na ata divulgada às 17h25.
Governança em xeque: como o mercado costuma reagir
Desde o IPO em 2021, a Oncoclínicas vinha sendo apontada como caso de crescimento agressivo num setor resiliente. Entretanto, rachas em conselhos historicamente provocam prêmios de risco mais altos, sobretudo em momentos de custos de capital elevados no Brasil. Em todo o Ibovespa, episódios semelhantes resultaram, em média, em queda de 3% no dia útil seguinte, mostram dados compilados pela B3.
Vale lembrar que o Banco Central mantém a Selic em 10,75% ao ano, nível que encarece planos de expansão financiados a dívida. Assim, qualquer sinal de desalinhamento interno tende a pesar ainda mais no valuation futuro da companhia.
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Crédito da imagem: Divulgação / Oncoclínicas