Choque externo pressiona mercados e exige mira cirúrgica do investidor
Ibovespa – O principal índice da B3 encerrou março em queda de 0,70%, após a disparada do petróleo Brent para a marca psicológica de US$ 100 e dados locais de inflação acima do esperado, cenário que só permitiu a duas carteiras recomendadas – Itaú Top 5 e XP Top Ações – baterem o índice.
- Em resumo: Brent em três dígitos, IPCA-15 salgado e fluxo defensivo tornaram o mês o mais seletivo do trimestre.
Queda do índice reacende disputa casa a casa pelo alfa
Entre oito carteiras rastreadas pela plataforma Grana Capital, a Itaú Top 5 liderou com 1,27% – salto ancorado nos 14,67% de Eneva –, enquanto a XP Top Ações somou modestos 0,19%. As demais ficaram abaixo do benchmark, mostrando que o investidor precisou de pontaria fina para escapar do tombo generalizado. O pano de fundo foi o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã que, segundo estimativas da Bloomberg, ameaça 20% do tráfego mundial de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
“Não se trata de mudança estrutural, mas de reação tática a um ambiente mais adverso”, resume Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos.
Inflação volta ao radar e risco de juros mais altos limita apetite
Além do choque energético, o IPCA-15 de 0,44% e a taxa de desemprego de 5,8% reforçaram a cautela sobre o ciclo de cortes da Selic. Para 2026, a OCDE já projeta avanço de apenas 1,5% do PIB brasileiro. Historicamente, cada aumento de US$ 10 no barril adiciona cerca de 0,3 ponto percentual na inflação anual, elevando a probabilidade de o Banco Central prolongar juros elevados e, por tabela, pressionar ações ligadas a consumo e crédito – exatamente as que mais apanharam em março.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3