Disparada do petróleo coloca nova pedra no caminho dos cortes de juros americanos
Pimco – Em entrevista concedida recentemente, o diretor de investimentos Dan Ivascyn afirmou que a escalada do conflito no Irã, com o fechamento do Estreito de Ormuz, vem inflacionando os preços de energia a ponto de o Federal Reserve considerar adiar cortes e até retomar altas de juros, movimento que pode encarecer crédito global e mexer no câmbio.
- Em resumo: choque no petróleo ameaça reacender a inflação e obrigar o Fed a subir os juros.
Petróleo caro complica a batalha contra a inflação
Desde o bloqueio da principal rota de exportação do Golfo Pérsico, a cotação do Brent acumulou alta superior a 18% em 30 dias, segundo dados compilados pela Reuters. Esse salto encarece combustíveis, repassa custos à cadeia produtiva e mantém o núcleo do índice de gastos com consumo (PCE) perto de 3%, longe da meta de 2% perseguida pelo banco central norte-americano.
“Um corte agora pode muito bem levar a juros mais altos nos prazos intermediários e longos”, alertou Ivascyn, destacando a incerteza em torno da trajetória da inflação.
O que muda para investidores e para o dólar
Análises do Goldman Sachs já empurram os dois próximos cortes de juros para dezembro de 2026 e março de 2027. Se o Fed optar por subir a taxa antes disso, títulos longos tendem a perder preço, enquanto papéis atrelados à inflação (TIPS) ganham atratividade. Historicamente, cada aumento de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds costuma fortalecer o dólar ante moedas emergentes em torno de 1% a 1,5%, pressionando ainda mais mercados como o brasileiro.
No pano de fundo, o histórico mostra que o Fed não eleva juros desde 2025, quando a taxa chegou ao intervalo de 5,25%-5,50%. Uma reversão agora ocorreria em meio a desaceleração na Europa e no Reino Unido — regiões que, segundo Ivascyn, também podem voltar a apertar a política monetária para conter efeitos secundários do petróleo.
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Crédito da imagem: Divulgação / InfoMoney