Maré alta varre o centro histórico e mantém calçamento colonial intacto
Paraty — fundada em 28 de fevereiro de 1667 na Costa Verde fluminense — utiliza até hoje a subida do mar para “faxinar” automaticamente suas ruas de pedra, prática que ajudou a garantir dois selos da UNESCO e a transformar o turismo local numa engrenagem econômica permanente.
- Em resumo: quando a lua cheia coincide com a maré alta, a água invade o casario, escorre lentamente e remove detritos sem custo público.
Como a maré vira serviço de limpeza urbana natural
O traçado das ruas foi planejado com leve inclinação, permitindo que a água avance por cerca de 20 cm sobre o piso “pé-de-moleque” e, depois, seja drenada de volta para a Baía de Paraty. Segundo apuração da Reuters, especialistas da UNESCO classificam o projeto como raro exemplo de integração entre engenharia colonial e ecossistema costeiro.
O dossiê 1308 da UNESCO protege 150.392 hectares, 187 ilhas e trechos do antigo Caminho do Ouro, reconhecendo “o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso do Brasil”.
Turismo, selo da UNESCO e impacto no bolso dos moradores
O título de Patrimônio Mundial Misto (cultural e natural) concedido em 2019 elevou Paraty a vitrine global: operadoras internacionais incluíram a rota da Costa Verde em catálogos de cruzeiros, e a procura por hospedagem cresceu nos finais de semana literários da FLIP. Para a economia caiçara, isso significa mais receita nos alambiques artesanais, maior giro nos restaurantes de peixe azul-marinho e valorização imobiliária no centro histórico — onde a oferta é limitada por leis de preservação.
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Crédito da imagem: Divulgação / depositphotos.com – xura