Oscilação anual de 10 m transforma praias em florestas alagadas no Amazonas
Novo Airão – A menos de 200 km de Manaus, o município serve de porta de entrada para o Parque Nacional de Anavilhanas, onde 400 ilhas aparecem e desaparecem conforme o Rio Negro sobe ou desce até 10 metros ao ano, fenômeno que consolida a região como o 2º maior arquipélago fluvial do planeta.
- Em resumo: o ciclo hidrológico cria praias de areia branca na seca e florestas alagadas na cheia, atraindo mais de 30 mil turistas anuais.
Labirinto natural muda de formato a cada estação
Entre março e agosto, 60% dos 350.018 hectares de Anavilhanas ficam submersos, segundo dados do ICMBio. Na vazante, de setembro a fevereiro, o volume d’água recua e revela faixas de areia que rivalizam com o litoral nordestino em tonalidade clara.
A variação de 10 m no nível do Rio Negro expande ou reduz a área visível do arquipélago em ritmo tão constante que moradores tratam o fenômeno como um “pulso” anual da floresta.
Mariuá: o vizinho que detém o recorde mundial
Anavilhanas só perde em número de ilhas para o Arquipélago de Mariuá, em Barcelos, com cerca de 700 formações. Ambos integram a bacia do Rio Negro, reconhecida pela UNESCO como parte do Complexo de Conservação da Amazônia Central, área de 6 milhões de hectares listada como Patrimônio Natural Mundial. A notoriedade internacional, destacada em reportagem da Reuters, mantém pressão por políticas de preservação e incentiva projetos de ecoturismo sustentável.
Dois parques nacionais em um mesmo município
Além de Anavilhanas, Novo Airão abriga acesso ao Parque Nacional do Jaú, maior área contínua de floresta tropical protegida dentro de um único país. Juntos, os parques protegem praticamente toda a margem local do Rio Negro e sustentam cadeias de serviço que já respondem por boa parte da renda municipal, segundo estimativas do IBGE.
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