Proposta via Paquistão mexe com expectativas e pressiona a Casa Branca
Irã – A recente oferta de negociação enviada por Teerã a Islamabad, revelada em 1º de maio, trouxe um breve alívio aos preços do petróleo, que vinham escalando desde o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz. O movimento, porém, mantém investidores em alerta sobre eventuais retaliações dos EUA e de Israel.
- Em resumo: Brent para julho recuou 0,4%, a US$ 109,96, mas ainda soma alta semanal de 4,5%.
Mercado reage em minutos ao sinal diplomático
Logo após a agência estatal IRNA divulgar o envio da proposta, o barril tipo Brent perdeu parte do prêmio de risco, segundo dados compilados pela Reuters. A correção veio após a commodity ter tocado US$ 126, maior patamar desde março de 2022, impulsionada pelo temor de falta de oferta.
Os contratos futuros caíram 0,4%, a US$ 109,96, mas ainda acumulam 4,5% de ganho na semana após o estreito ser responsável por travar 20% do fluxo global de petróleo e gás.
Por que o Estreito de Ormuz segue no centro do jogo
A rota marítima responde por um quinto do comércio mundial de energia. Qualquer interrupção prolongada, como a atual operação naval dos EUA para conter as exportações iranianas, tende a elevar custos logísticos e pressionar inflação em economias importadoras. Em 2019, por exemplo, um incidente similar adicionou quase US$ 10 ao barril em apenas 48 horas.
Analistas lembram que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) já opera com folga reduzida de capacidade, enquanto as reservas estratégicas dos EUA caíram ao menor nível desde 1984 após liberações emergenciais. Portanto, mesmo um cessar-fogo definitivo pode demorar a normalizar preços nos postos, fator sensível para a campanha republicana de meio de mandato.
O que você acha? A sinalização iraniana será suficiente para estabilizar o mercado ou o risco geopolítico continuará ditando o ritmo do Brent? Para mais análises sobre energia e conflitos, acesse nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / IRNA