Da homenagem familiar ao segundo maior pico de consumo do ano
Associação Comercial de São Paulo (ACSP) – Mesmo sem redes sociais em 1932, o decreto de 05/05 daquele ano plantou a semente de uma tradição que hoje move bilhões de reais no comércio nacional, supera Dia dos Namorados e só perde para o Natal em volume de vendas.
- Em resumo: Institucionalizada por Getúlio Vargas, a data tornou-se a principal alavanca do varejo no 1º semestre.
Um decreto que ecoa no caixa das lojas
Assinado por Getúlio Vargas, o documento 21.366 exaltava “ternura, respeito e veneração” materna e fixava o segundo domingo de maio como Dia das Mães. Noventa anos depois, a intenção afetiva converte-se em receita: só em 2023, campanhas promocionais impulsionaram crescimento de 5,6% nas vendas físicas, segundo levantamento citado pela Reuters.
“O segundo domingo de maio é consagrado às mães … contribuindo para o aperfeiçoamento no sentido da bondade e solidariedade humana.” (Decreto 21.366, 05/05/1932)
Do simbolismo religioso ao peso macroeconômico
Antes da oficialização, paróquias brasileiras já celebravam a maternidade em maio — mês dedicado a Maria. Com o aval do Estado Novo, porém, a data ganhou contornos comerciais. O boom veio durante o regime militar (1964-1985), quando a influência norte-americana e a exaltação da “mãe dedicada” alinharam marketing e ideal familiar.
Hoje, a Confederação Nacional do Comércio projeta faturamento de R$ 13,2 bilhões para o setor, impulsionado pela combinação de crédito ainda barato e inflação desacelerando — o IPCA acumulado em 12 meses está abaixo de 4%, aliviando o bolso do consumidor e reforçando o apelo emotivo de presentes como smartphones, perfumes e eletrodomésticos.
O que você acha? O Dia das Mães continuará defendendo o posto de segundo maior evento de consumo diante da ascensão da Black Friday? Para mais análises sobre varejo e comportamento de compra, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / BBC News – Getty Images