Pânico com IA ignora softwares que mantêm hospitais e escolas
IP Capital Partners — A gestora independente avalia que o sell-off recente no setor de software foi além da conta e criou oportunidades em companhias cujos sistemas são vitais para o funcionamento de hospitais, redes de ensino e grandes corporações.
- Em resumo: queda generalizada empurrou Microsoft a níveis de preço de 2018, mesmo com receita crescendo perto de 20% ao ano.
Missão crítica: custo ínfimo, risco gigante
Enquanto algoritmos de inteligência artificial prometem escrever linhas de código em segundos, softwares que regulam prontuários hospitalares ou balanços escolares não podem simplesmente ser desligados, alerta Gabriel Raoni, sócio-gestor da IP. De acordo com dados compilados pela Bloomberg, papéis de desenvolvedoras B2B perderam até 35% desde março, apesar de churn (taxa de troca) seguir abaixo de 1% ao mês em contratos corporativos.
“Você desliga aquele software, acabou o negócio. Ele representa 1% do custo do cliente — não se troca do dia para a noite por algo que uma IA gerou”, frisa Raoni.
Valuation: Microsoft volta a 2018 e atrai gestores
A IP mantém posição relevante em Microsoft (MSFT34), que chegou a recuar 20% no ano antes de uma leve recuperação. O movimento contrasta com a disparada de fabricantes de chips de IA, como a Nvidia, e levou o múltiplo preço/lucro da big tech para patamares vistos pela última vez em 2018. O Nasdaq 100, por sua vez, avança pouco mais de 7% no mesmo intervalo, mostrando que a rotação setorial penalizou de forma seletiva companhias de software tradicional.
Historicamente, momentos de descasamento entre preço e fundamento costumam preceder rallys: em 2020, após a crise sanitária, o índice de softwares empresariais saltou 46% em 12 meses à medida que demanda por digitalização voltou. Dessa vez, o gatilho pode vir de contratos plurianuais já indexados à inflação, margens de 30% e, sobretudo, do ritmo mais lento com que grandes empresas decidem migrar sistemas — processo que envolve compliance, treinamento e riscos legais.
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Crédito da imagem: Divulgação / IP Capital Partners