Selic elevada e crises corporativas turbinaram o prêmio da renda fixa isenta
B3 – No mercado secundário, debêntures incentivadas, CRIs e CRAs voltaram a atrair holofotes ao oferecer rentabilidades que beiram recordes históricos, chegando a IPCA+ 10,6% ao ano, bem acima da média IPCA+ 8,4% ou CDI+ 3% observada no início de 2024.
- Em resumo: papéis isentos de IR pagam hoje o dobro do prêmio visto antes da pandemia.
Por que os prêmios saltaram nos papéis livres de Imposto de Renda
Três fatores pesam: Selic acima de 12%, risco corporativo após sucessivos pedidos de recuperação judicial e liquidez seletiva. De acordo com análise da Reuters, o Banco Central indicou que o ciclo de cortes será mais lento, mantendo a taxa real elevada e forçando empresas a pagar spreads generosos para captar.
Entre 357 debêntures incentivadas de grandes companhias, a taxa média saltou para IPCA+ 8,41% ao ano; em casos pontuais, como o título da V.tal para 2035, o retorno já marca IPCA+ 10,6%.
Impacto direto no bolso do investidor e horizonte de 2024
Na prática, uma debênture isenta que rende IPCA+ 10% equivale a IPCA+ 13% em um título tributado, descontados 15% de IR para prazos longos. Ou seja, o investidor pessoa física captura quase 3 pontos percentuais extras livres.
Já os CRAs da recém-criada MBRF pagam IPCA+ 10,45%, enquanto CRIs da Dasa chegam a IPCA+ 13,78%. Esses níveis superam, por larga margem, o pico observado na recessão de 2015-2016, quando a média parou em IPCA+ 9%. O quadro reforça a busca por qualidade de crédito: após casos como Raízen e GPA, gestores exigem mais prêmio para ativos sem garantia estatal.
Analistas lembram que, mesmo com um corte gradual da Selic, o hiato entre papéis privados e títulos públicos só deve fechar depois de sinais concretos de retomada econômica, algo projetado para meados de 2025.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3