A nova usina muda o jogo da segurança hídrica no Mediterrâneo
Espanha — Sob pressão de secas recordes e tarifas de água em alta, o governo catalão colocou em operação linhas de captação a 30 m de profundidade que já fornecem até 200 milhões de litros de água potável por dia para Barcelona e arredores.
- Em resumo: a dessalinizadora do Llobregat agora responde por cerca de 25 % da água que chega às torneiras da região metropolitana.
Como a megaoperação no Mediterrâneo funciona
Dois dutos de 2,2 km conectam as torres submarinas à praia, onde bombas elevam o volume até a planta em El Prat. Ali, o fluxo passa por pré-filtração e osmose reversa — tecnologia que remove até 99 % dos sais, segundo dados citados pela Bloomberg.
A capacidade instalada soma 200 mil m³ por dia, o suficiente para encher 80 piscinas olímpicas a cada 24 horas.
O que muda para investidores e contas públicas
O projeto, estimado em €230 milhões, reduz a dependência de reservatórios que operam abaixo de 30 % desde 2022. Para o mercado, trata-se de um teste de viabilidade de infraestrutura hídrica em larga escala, segmento que movimentou US$35 bilhões em emissões de green bonds globais no último ano, de acordo com a Climate Bonds Initiative.
Além de evitar racionamentos — medida que poderia cortar até 0,3 ponto no PIB regional — a usina fixa custos de longo prazo num cenário de inflação energética. Agências de rating observam que a receita da estatal ATL tende a ganhar previsibilidade, fator que pode baratear futuras captações para expansão ou replicação do modelo em Valência e Múrcia.
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Crédito da imagem: Divulgação / ATL