Gasolina a preço de distribuidora e chope de bar: entenda por que a ação virou termômetro da reforma tributária
Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) – Em 28 de maio, mais de 1,5 mil cidades participaram do Dia Livre de Impostos, vendendo combustíveis e bebidas com descontos de até 70%. A iniciativa escancara o peso dos tributos no bolso do consumidor e pressiona o Congresso às vésperas da votação do novo modelo de IVA.
- Em resumo: postos de gasolina no Rio e em São Paulo liberaram 5 mil litros sem imposto; bares serviram chope a preço de custo para provocar debate sobre a reforma.
Do posto ao bar, o “imposto zero” dura horas, mas o recado ao governo é permanente
Às 7h, o Posto Petronas, na Barra Olímpica (RJ), formava filas para abastecer até 20 L por veículo a preço sem tributo. No mesmo horário, o G4, em São Paulo, fez movimento idêntico. À noite, Boteco Belmonte (Leblon) e Pasquim Bar e Prosa (SP) repetiram a estratégia com chope livre de encargos, alimentando discussões sobre a transição tributária. De acordo com estimativa da Valor Econômico, o brasileiro trabalha, em média, 150 dias por ano apenas para pagar impostos.
“A alíquota potencial do novo IVA pode colocar o Brasil entre as cinco maiores do mundo”, alerta o manifesto entregue pelo Sistema CNDL ao Congresso Nacional.
Por que o investidor deveria prestar atenção
Embora a ação dure só um dia, ela sinaliza risco de aumento de custos operacionais no varejo durante o período de transição de oito anos previsto na PEC da reforma. Historicamente, cada 1 p.p. de alta na carga tributária retira cerca de 0,3 p.p. do PIB, segundo cálculos do Ipea. Se confirmada a alíquota de 27%, o Brasil superaria a média de 20% praticada na OCDE, pressionando margens de supermercados, postos e bares listados na B3 — cenário já monitorado por gestoras que miram consumo doméstico.
Além disso, o manifesto da CNDL cobra isonomia com plataformas estrangeiras de e-commerce – tema que ganhou força após a Receita anunciar, em abril, controles eletrônicos sobre pequenas encomendas. Caso a “taxa das blusinhas” avance, players locais podem recuperar participação, impulsionando receitas e dividendos de varejistas tradicionais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images