Alta promessa de rendimento atrai, mas regras de crédito exigem atenção redobrada
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Desde a resolução nº 175, os FIDCs deixaram de ser produto exclusivo de investidores qualificados e agora chegam ao varejo com retorno projetado de até CDI + 9% ao ano, mexendo diretamente no bolso de quem busca renda fixa turbinada.
- Em resumo: fundos compram recebíveis com desconto e repassam a diferença como lucro aos cotistas.
Desconto nos recebíveis: o mecanismo que gera o CDI + 9%
Na prática, o gestor antecipa duplicatas, parcelas de cartão ou financiamentos para empresas que precisam de caixa imediato. O pagamento integral do consumidor, no futuro, cobre o adiantamento e deixa a margem de ganho para o fundo. Segundo levantamento da Reuters, operações de curto prazo – algumas semanais – explicam como taxas tão robustas conseguem ser pactuadas sem comprometer liquidez.
Alguns portfólios miram retornos de CDI + 8% a CDI + 9% ao ano, patamar difícil de encontrar em produtos bancários cobertos pelo FGC.
Cenário de juros e inadimplência: vento a favor ou contra?
Com a Selic estacionada em 13,75% nos últimos meses e expectativa de cortes graduais no segundo semestre, a busca por rendimento acima do CDI ganhou força. Ao mesmo tempo, a inadimplência do crédito ao consumidor atingiu 5,8% em março, o maior nível desde 2017, o que eleva o risco de calote nos recebíveis dentro dos fundos.
Para quem avalia entrar, especialistas recomendam checar o percentual de subordinação – almofada de proteção dada pelas cotas mezanino e subordinada – e analisar a granularidade da carteira. Históricos de atraso inferiores a 2% e pulverização setorial costumam indicar estrutura mais resiliente.
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Crédito da imagem: Divulgação / Empiricus Research