Dentro do maior salão automotivo da Ásia, repórteres lutam contra o 4G que sobra para influenciadores
Governo da China – A mais recente edição do Salão de Pequim expôs um contraste curioso: enquanto criadores chineses fechavam vendas de carros em lives de poucos minutos, jornalistas estrangeiros enfrentavam horas para subir um vídeo de dois minutos, graças ao Grande Firewall.
- Em resumo: a internet móvel turbinou o live-commerce chinês, mas virou gargalo caro para a imprensa internacional.
Live-commerce põe 1.451 carros na vitrine e já fecha negócio
Equipados apenas com um ring light, dois celulares e cupons digitais, dezenas de streamers lotavam os corredores do evento. O formato, que movimentou US$ 500 bilhões no e-commerce chinês em 2023, segundo dados da Reuters, permite que o consumidor finalize a compra sem sair da transmissão.
A feira ocupou 380 mil m², exibiu 1.451 veículos, lançou 181 modelos inéditos e revelou 71 conceitos, atraindo cerca de 890 mil visitantes.
Firewall devora produtividade e eleva custo de cobertura
Serviços globais como YouTube, Google e WhatsApp seguem bloqueados. A solução via VPN derrubou a velocidade de upload a níveis pré-3G, forçando repórteres a perder tempo de apuração e a caçar tomadas em áreas VIP. Enquanto isso, influenciadores locais streamavam com 4G estável em apps como WeChat, imunes à barreira estatal.
Especialistas lembram que o controle de tráfego faz parte da estratégia industrial chinesa: proteger ecossistemas próprios de dados e impulsionar gigantes locais de tecnologia, o que já rendeu ao país 60% da produção global de veículos elétricos em 2023, segundo a Bloomberg.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1