Exportadores adiam embarques enquanto Brasília avalia contra-ataque
Estados Unidos – A simples recomendação do USTR de sobretaxar em 25% uma lista de exportações brasileiras, divulgada em 1º de junho, já está congelando negócios e reacendendo a discussão sobre retaliação pela Lei de Reciprocidade.
- Em resumo: só a ameaça elevou o risco de tarifa total de até 35% e fez produtores segurarem contratos.
Por que a ameaça vale antes da caneta oficial
Embora o processo ainda passe por 30 dias de consulta pública, analistas como o ex-secretário Welber Barral alertam que compradores norte-americanos podem optar por fornecedores alternativos imediatamente, reduzindo a fatia do Brasil em commodities e manufaturados. Segundo levantamento da Reuters, o país exportou quase US$ 36 bi aos EUA em 2025, fatia agora em xeque.
“Alguns bens brasileiros poderiam enfrentar tarifa efetiva de 35%, tornando-os menos competitivos que rivais asiáticos”, destaca Barral.
Impacto cambial e cenário macroeconômico
O estresse tarifário chega num momento em que o dólar ronda R$ 5,40, influenciado pela expectativa de juros mais altos nos EUA e pela queda dos preços do minério de ferro, principal item da pauta brasileira. Caso as vendas recuem, o superávit comercial previsto para 2026 (US$ 75 bi) pode encolher, pressionando o câmbio e a inflação interna.
Historicamente, episódios parecidos – como a disputa do aço em 2018 – fizeram o real se desvalorizar até 10% em poucas semanas. Agora, investidores monitoram também o impacto sobre o Pix, apontado no relatório americano como fonte de “concorrência desleal” contra empresas de meios de pagamento dos EUA.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC News