Energia, IA e nova ordem multipolar ganham tração em Pequim
Rússia e China – Em visita oficial nesta quarta-feira (20/5), Vladimir Putin e Xi Jinping sinalizaram que a parceria Moscou-Pequim entrou em “nível sem precedentes”, destravando projetos bilionários de energia e tecnologia com potencial de mexer no preço do gás e do petróleo já em 2026.
- Em resumo: 20 novos acordos foram assinados, incluindo o gasoduto Força da Sibéria 2, capaz de enviar 50 bi de m³ de gás por ano à China.
Gasoduto de 50 bi m³/ano redefine suprimento asiático
O acordo preliminar entre Gazprom e CNPC encerra anos de impasse sobre preço. Com rota pela Mongólia e ponto de partida em Yamal, a obra pode cobrir até 12% da demanda chinesa projetada para 2025, segundo a Reuters. Analistas veem o duto como “plano B” da Rússia após sanções ocidentais cortarem acesso ao mercado europeu.
Se concluído, o Força da Sibéria 2 deslocará parte do excedente hoje vendido à Europa, ampliando a dependência da Ásia e pressionando concorrentes do GNL no Pacífico.
Do petróleo à IA: por que Wall Street deve ficar de olho
Além da energia, o pacote prevê cooperação em inteligência artificial e semicondutores — setores críticos diante das restrições dos EUA. Para investidores, a combinação de fluxo constante de petróleo russo e capital chinês cria um colchão contra volatilidade cambial e pode impactar as cotações do Brent e do yuan.
Historicamente, sempre que Moscou anuncia novas rotas de exportação, o rublo aprecia no curto prazo; já Pequim ganha poder de barganha sobre fornecedores de GNL do Catar e da Austrália. Caso o projeto avance no cronograma, a Agência Internacional de Energia estima que o preço de referência do gás na Ásia poderia recuar até 8% no primeiro ano de operação.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC News