Investidores veem risco à credibilidade, enquanto autarquia fala em incentivo à transparência
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Em nota oficial divulgada na última quinta-feira (4), a autarquia reiterou que a revogação da obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade – prevista para valer a partir de 2026 – representa um “avanço”, mesmo após duras críticas de entidades do mercado e do governo.
- Em resumo: reporte ESG passa a ser voluntário; quem aderir deverá seguir padrões ISSB/CBPS com asseguração razoável.
Como fica a divulgação ESG a partir de agora?
Pela Resolução 244, as companhias que publicarem dados de sustentabilidade precisarão manter o compromisso por pelo menos três exercícios consecutivos e explicar qualquer interrupção. Segundo a Reuters, a mudança surpreendeu parte dos gestores estrangeiros, que enxergavam no Brasil um terreno fértil para capitais direcionados a critérios ambientais, sociais e de governança.
“Companhias que optarem por divulgar informações financeiras de sustentabilidade só poderão fazê-lo observando as normas do CBPS e ISSB, preservando confiabilidade e comparabilidade”, destacou a CVM no comunicado oficial.
Pressão política, impacto no fluxo de capital e cenário macro
A Secretaria do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda classificou a decisão como “indigna” e avalia, junto à PGFN, se o rito regulatório foi cumprido. Analistas lembram que, em um ambiente de Selic em queda gradual e busca por diferenciais competitivos, a transparência ESG vinha se consolidando como fator decisivo para atrair recursos internacionais. A súbita flexibilização pode, portanto, ampliar o prêmio de risco exigido por fundos que já precificam metas de carbono nos portfólios.
O que você acha? A adesão voluntária será suficiente para manter a confiança dos investidores ou o Brasil perde terreno na corrida global por capital verde? Para mais análises sobre o Mercado Financeiro, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / CVM