De ferramenta militar a ícone científico, a plataforma mudou a forma de medir o oceano profundo
Marinha dos Estados Unidos – Concebido em 1960 para aprimorar a mira acústica de torpedos, o R/P FLIP ganhou status de laboratório flutuante ao girar 90 graus e fincar 91 metros no mar, eliminando a trepidação que inviabilizava pesquisas de alta precisão.
- Em resumo: a embarcação de 108 m leva 28 min para ficar vertical e permanece quase imóvel mesmo com ondas de 10 m.
O segredo da virada que desafia a física naval
Projetado pela The Glosten Associates, o casco tubular realinha centro de gravidade e flutuabilidade, permitindo que a popa seja inundada enquanto a proa sobe. A rotação, descrita como “um pêndulo de 700 t”, garante desvio vertical inferior a 1 m em mar agitado, segundo dados compilados pela Exame.
Em ondas de 10 m, o FLIP move menos de 1 m – algo inalcançável em navios convencionais de igual porte.
Legado de 300 missões e impacto estratégico
Entre 1962 e 2023, o FLIP integrou mais de 300 campanhas, medindo gradientes térmicos, propagação sonora e até o comportamento de mamíferos marinhos. Parte dos dados embasou ajustes na doutrina de submarinos norte-americanos, que hoje recebem mais de US$ 50 bi anuais do orçamento de defesa. Na esfera civil, as séries históricas do navio ajudam a modelar seguros de catástrofe e a precificar contratos futuros de energia offshore, mercado que – de acordo com a Agência Internacional de Energia – pode mover US$ 1 trilhão até 2040.
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Crédito da imagem: Divulgação / Scripps Institution of Oceanography