Lucros projetados encolhem e balanço de 2026 já sente o baque
Suzano (SUZB3) – Na última sexta-feira (7/4), o Bank of America rebaixou a recomendação da companhia para “neutro” e cortou de forma expressiva o preço-alvo, acendendo o alerta de que o atual ciclo favorável da celulose pode estar se esgotando.
- Em resumo: papéis caíram mais de 6% após relatório que projeta lucro líquido de R$ 5,9 bilhões em 2026, bem abaixo das estimativas anteriores.
Oferta mundial dispara e pressiona cotações da commodity
A análise do BofA destaca que a capacidade produtiva global dobrou na China e deve crescer mais 13 milhões de toneladas na América Latina, mudando a dinâmica de preços. Segundo dados consolidados pela Reuters, o mercado asiático já responde por quase um terço da nova oferta prevista entre 2024 e 2027.
“O atual ciclo de alta da celulose está se aproximando do fim”, frisa o analista Caio Ribeiro, citando estoques elevados e demanda mais fraca.
Impacto nas margens e no valor de mercado da Suzano
Com o preço de longo prazo da celulose revisto de US$ 600 para US$ 550 por tonelada, o EBITDA projetado para 2025 caiu para R$ 23,8 bilhões. Embora ainda negocie a 6,4x EV/EBITDA, o free cash flow yield estimado em 5,4% fica aquém do patamar de 7% visto em 2023, sinalizando menor folga para dividendos.
O movimento ocorre num momento em que o Banco Central brasileiro mantém a Selic em 13,75% ao ano, ampliando o custo de capital para projetos de expansão e elevando a exigência de retorno dos investidores. Historicamente, cada recuo de US$ 50 na tonelada de celulose corta até 2 pontos percentuais na margem EBITDA da Suzano, lembram analistas do setor.
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Crédito da imagem: Divulgação / Suzano