Liquidez apertada e atrasos em tratamentos expõem urgência por capital
Oncoclínicas (ONCO3) – A rede encerrou 2025 com prejuízo de R$ 3,67 bilhões, capital circulante negativo de R$ 2,31 bilhões e covenants descumpridos, cenário que acende alerta máximo para investidores e para 280 mil pacientes oncológicos atendidos anualmente.
- Em resumo: Caixa curto e dívidas aceleráveis colocam a continuidade operacional sob risco imediato.
Endividamento além do limite trava crédito e eleva custo financeiro
A alavancagem chegou a 4,3 vezes o Ebitda, acima do teto contratual de 3,5 vezes. Segundo parecer da Deloitte, o descumprimento dos índices “pode ensejar vencimento antecipado pelos credores”, mecanismo que costuma disparar negociação emergencial de passivos. Dados da Valor Econômico mostram que, em crises semelhantes no setor de saúde, o custo médio de refinanciamento salta mais de 30%.
“Quando a empresa quebra cláusulas financeiras e ainda enfrenta ressalva de auditoria, o mercado deixa de precificar recuperação e passa a precificar sobrevivência”, observou Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos.
Cenários: venda de ativos, aporte corporativo ou proteção judicial
Para ganhar fôlego, a companhia já vendeu o Uberlândia Medical Center e negocia o Hospital Vila da Serra. Além disso, discute aporte de R$ 500 milhões com a Porto Seguro, que criaria um veículo para abrigar 146 clínicas e parte da dívida. Um plano alternativo envolve empréstimo de até R$ 150 milhões e injeção de R$ 500 milhões pelo Mak Capital, condicionado à destituição do conselho em AGE marcada para 30/04.
No pano de fundo, o custo de capital continua pressionado pelos juros básicos a 10,75% ao ano. Dados do Banco Central indicam que o spread para empresas endividadas acima de quatro vezes o Ebitda supera 8 p.p., o que pode elevar ainda mais a despesa financeira da Oncoclínicas se a renegociação não ocorrer rápido.
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Crédito da imagem: Divulgação / Oncoclínicas