Mercados já precificam impacto após recuo de 9% no preço do barril
Irã – Ao retomar as restrições de navegação no Estreito de Ormuz no sábado (18), Teerã inverteu o alívio visto na véspera e colocou em xeque a oferta de quase 20% do petróleo mundial, mexendo nas apostas de que o Brent volte a três dígitos.
- Em resumo: novo bloqueio iraniano e ataques de Israel ao Líbano turbinam o prêmio de risco do barril.
Do alívio à tensão em 24 h: volatilidade extrema
Menos de um dia depois de anunciar a reabertura da rota, as autoridades iranianas comunicaram o fechamento total aos armadores. A queda de 9% no Brent, que já havia levado a cotação a US$ 90, virou fumaça quando um superpetroleiro relatou tiros. A rápida virada lembra 2022, quando a guerra na Ucrânia empurrou o barril a US$ 130, segundo levantamento da Reuters.
“Embora um acordo pareça à vista e possa trazer alívio aos mercados de energia, é improvável que resulte em uma paz plena ou duradoura”, alertam analistas da Bloomberg Economics.
Impacto no bolso: combustível, inflação e Bolsa
Se o Brent voltar a US$ 100, a Petrobras tende a revisar sua política de preços e o diesel pode pressionar o IPCA já na virada para o próximo mês. Nos EUA, a média nacional da gasolina caiu 14% na última semana; esse desconto corre o risco de desaparecer. Para a B3, companhias aéreas e varejo — setores sensíveis ao custo de energia — podem ver margens comprimidas, enquanto exportadoras como Petrobras e 3R Petroleum ganham fôlego.
Nos bastidores, fontes diplomáticas indicam que Washington avalia liberar parte dos US$ 20 bi iranianos congelados em troca de limitações nucleares. A mesma estratégia, usada em 2015, injetou liquidez no Golfo e aumentou a produção da OPEP em 1,2 milhão de barris/dia, esfriando preços até 2017. Dessa vez, porém, o Fed mantém juros elevados, o que limita o espaço para choques inflacionários prolongados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Band