Diesel caro, passagens explosivas e supermercado em alta reforçam o alerta de preços
Banco Central do Brasil – Nas últimas quatro semanas, a mediana das projeções para o IPCA saltou de 4,1% para 4,71%, segundo o boletim Focus, escancarando que a inflação de 2026 está praticamente contratada – e o mercado já revisa 2027 para cima.
- Em resumo: Choque no petróleo disparou reajustes de diesel, querosene de aviação e alimentos, encarecendo o custo de vida até pelo menos 2027.
Petróleo vira efeito dominó: do barril ao frete
O conflito que envolve Estados Unidos, Israel e Irã desorganizou o fluxo no Estreito de Ormuz, elevando o Brent acima de US$ 90 e puxando derivados no Brasil. Segundo dados da Reuters, mesmo após a reabertura parcial da rota, a cadeia logística segue pressionada: o diesel subiu dois dígitos no IPCA de março e a Logos Economia projeta alta de 5,4% no grupo Transportes em 2026.
“Preço no Brasil sobe de elevador e desce de escada”, lembra Fábio Romão, sócio da Logos Economia.
Passagens aéreas e alimentos: a segunda e a terceira ondas
Com o querosene de aviação 55% mais caro, o IBGE deve captar repasses nas passagens a partir de junho. A consultoria estima avanço de 45% no item em 2024, contrariando a sazonalidade histórica de queda no primeiro semestre.
Já no supermercado, a alimentação no domicílio acelerou para 1,94% em março; fertilizantes mais caros podem empurrar esse grupo até 5,4% em 2026. A combinação de frete oneroso e insumos agrícolas encarece a cesta básica e mina o poder de compra de famílias que já destinam quase 50% da renda ao pagamento de dívidas.
Por que 2027 entrou no radar dos economistas
A “memória inflacionária” brasileira, alimentada pela hiperinflação pré-Plano Real, dificulta a reversão dos aumentos. A Focus mostra a mediana de 2027 em 3,91%, enquanto a Logos já trabalha com 4,0%. Juros altos devem continuar: a consultoria vê espaço para apenas 0,25 p.p. de corte na Selic no fim de abril, num movimento cauteloso diante do cenário externo incerto.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil