Estudo expõe por que a estrutura do COE pode corroer sua rentabilidade
Fundação Getulio Vargas (FGV) – Um levantamento divulgado recentemente em parceria com a CVM aponta que a maioria dos Certificados de Operações Estruturadas rende menos que o CDI e pune sobretudo os investidores sem experiência, com perdas médias de 0,29% ao ano, enquanto os veteranos acumulam ganhos de 3,08% acima do mesmo indicador.
- Em resumo: complexidade do COE virou armadilha: quem entende pouco perde dinheiro, quem domina o produto ganha.
Complexidade derruba retorno de novatos; simples paga melhor
Segundo o estudo, COEs sofisticados rendem 2,6 pontos percentuais a menos do que versões simples. Nos papéis ligados a apenas uma ação – como os baseados em Petrobras – o desempenho fica próximo ao CDI. Já nas estruturas que misturam Netflix, Alipay e outras cestas globais, o cenário muda radicalmente; investidores experientes chegam a ganhar 5 p.p. a mais que os inexperientes. O movimento coincide com o estoque recorde de R$ 100 bilhões em COEs na B3, de acordo com dados da B3 divulgados pelo InfoMoney.
“COEs complexos não deveriam ser oferecidos a quem nunca comprou uma ação”, alerta Alan de Genaro, professor da FGV e coautor da pesquisa.
Regulador mira suitability; cenário de Selic alta amplia risco
A CVM incluiu a oferta de COEs entre as prioridades regulatórias até 2026, prometendo audiências públicas para apertar critérios de transparência e adequação de risco. O debate ganha urgência num momento em que a Selic permanece a dois dígitos, tornando aplicações atreladas ao CDI atraentes e aumentando o custo de oportunidade de entrar em produtos estruturados que podem não bater o índice.
Além disso, bancos centrais globais ainda sinalizam cautela com cortes de juros, o que preserva volatilidade nos mercados acionários internacionais — justamente o ingrediente que define o sucesso ou fracasso de muitos COEs baseados em cestas de ações estrangeiras.
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Crédito da imagem: Divulgação / FGV