Volume enxuto denuncia nervosismo às vésperas da decisão
B3 – A bolsa brasileira passou a sessão desta segunda-feira (20) praticamente parada, refletindo o suspense sobre o desfecho do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã que expira nesta terça-feira à noite. Com giro de R$ 17 bilhões – inferior à média anual de R$ 18 bilhões – o Ibovespa oscilou em torno da estabilidade e encerrou com leve alta de 0,2%, aos 196 mil pontos.
- Em resumo: Investidores evitam apostas firmes antes da possível retomada de hostilidades no Golfo Pérsico.
DI avança, dólar recua e petróleo volta a subir
A curva de juros reagiu de forma conservadora: o contrato de Depósito Interfinanceiro para jan/27 subiu de 13,89% para 13,94% ao ano, enquanto prazos mais longos recuaram levemente, sinalizando dúvida sobre a trajetória da Selic caso o petróleo dispare. Já o dólar à vista cedeu 0,2%, a R$ 4,97, apoiado pelo fluxo positivo de commodities. Segundo a Reuters, a cotação do barril avançou mais de 5% após o Irã alternar o status do Estreito de Ormuz duas vezes em 24 horas.
Giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 17 bilhões, ligeiramente abaixo da média dos últimos 12 meses (R$ 18 bilhões).
Como a tensão no Golfo pode atingir seu bolso
Um rompimento definitivo do cessar-fogo tende a manter o petróleo pressionado, o que encarece combustíveis, logística e, por tabela, o índice de preços ao consumidor. Analistas lembram que cada alta de 10% na commodity adiciona cerca de 0,2 ponto percentual à inflação brasileira em 12 meses. Dessa forma, as expectativas de corte na Selic, já colocadas em xeque pelo Banco Central após a ata mais recente, ficariam ainda mais distantes.
Para o investidor de renda variável, o cenário é ambíguo: valorização do Brent fortalece Petrobras, mas reduz o apetite por papéis dependentes do consumo doméstico. Em Wall Street, o S&P 500 acumula três recordes consecutivos, sustentado pela rotação para tecnologia, enquanto o Nasdaq vive a melhor sequência desde 1992. No entanto, qualquer escalada militar pode inverter esse humor em questão de horas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images