Tensão geopolítica reacende busca por proteção em meio a petróleo caro
Dólar – A moeda norte-americana ganhou fôlego nesta terça-feira, 21, refletindo a suspensão das conversas entre Estados Unidos e Irã no Paquistão, o salto do petróleo e a escalada dos rendimentos dos Treasuries, combinação que reforçou a aversão global ao risco.
- Em resumo: DXY avançou 0,30%, a 98,394 pontos, enquanto o dólar atingiu 159,54 ienes e o euro recuou a US$ 1,1733.
Renda fixa dos EUA e petróleo alimentam corrida ao “porto seguro”
Com o Brent flertando novamente com a marca de US$ 100, investidores passam a enxergar o dólar como proteção contra oscilações mais fortes dos preços de energia, reforçando o movimento de flight to quality observado nas últimas sessões.
Analistas do JPMorgan, Meera Chandan e Arindam Sandilya, escreveram que “a manutenção do cessar-fogo tende a ser negativa para o dólar; o rompimento, porém, sustenta a demanda pelo ativo de reserva”.
Impacto no bolso e no mercado: por que 98,39 pontos preocupa?
O patamar atual do DXY, não visto desde o início de março, encarece commodities cotadas em dólar e pressiona emergentes que dependem de financiamento externo. Países latino-americanos, inclusive o Brasil, podem enfrentar nova onda de saída de capitais caso os yields dos Treasuries – já acima de 4,5% em alguns vértices – continuem subindo.
No campo doméstico, um dólar mais forte tende a dificultar cortes adicionais da Selic, pois adiciona pressão inflacionária via câmbio. Em 2022, movimento semelhante levou o Banco Central a pausar o afrouxamento monetário por duas reuniões consecutivas, lembram economistas consultados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg