Rotina de leitura diária de e-mails guiará sucessão de John Ternus
Apple – Em carta recente, Tim Cook confirmou que deixará o cargo de CEO após 15 anos para presidir o conselho. O executivo revelou que, todas as manhãs, lia e-mails de consumidores do mundo inteiro, prática que considera o alicerce das decisões que levaram a companhia aos atuais US$ 2,9 tri em valor de mercado.
- Em resumo: Cook insiste que “sentir o pulso” do usuário diariamente evita que relatórios internos filtrem sinais vitais para o negócio.
A força de um ritual ignorado por muitas gigantes
Segundo levantamento da Reuters, a Apple fechou o último ano fiscal com 2,5 bilhões de dispositivos ativos – universo de clientes que Cook monitorava pessoalmente por e-mail. A aposta do executivo vai na contramão de sistemas que terceirizam o filtro de feedback e mostra que, mesmo na era dos dashboards automatizados, ouvir o consumidor “na unha” ainda gera vantagem competitiva.
“Por 15 anos, comecei praticamente todas as manhãs da mesma forma… Sinto uma crescente obrigação de trabalhar mais e ir além”, escreveu Cook na despedida.
Por que investidores devem ficar atentos à mudança
John Ternus, novo CEO, herda mais que a linha de produtos: assume a expectativa de manter a proximidade com quem paga a conta. Em um cenário de desaceleração do mercado de smartphones e pressão regulatória sobre big techs nos EUA e na Europa, a habilidade de captar dor do usuário em tempo real pode definir a próxima onda de receitas – seja em serviços, seja em realidade aumentada.
Analistas lembram que a última grande transição na Apple, a saída de Steve Jobs, coincidiu com lançamentos que quadruplicaram o valor das ações em cinco anos. A mesma lupa agora recai sobre Ternus: se o novo líder preservará o “ritual das 5 h da manhã” ou voltará a confiar em relatórios de BI, potencialmente atrasando a leitura de sinais de mercado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Apple