Escalada de preços pressiona combustíveis e amplia risco inflacionário global
Petróleo Brent – A cotação internacional da commodity voltou a flertar com a marca psicológica de US$ 100 após a sessão desta terça-feira (21), à medida que as conversas entre Estados Unidos e Irã em Islamabad esfriaram e o prazo de cessar-fogo no Oriente Médio se esgota.
- Em resumo: Brent sobe 3,14%, a US$ 98,48; WTI avança 2,57%, fechando em US$ 89,67.
Tensão diplomática mantém barril no patamar mais alto desde outubro
Agências de energia alertam que a paralisia nas tratativas, relatada pelo serviço internacional da Reuters, pode interromper cerca de 20% do fluxo global que cruza o Estreito de Ormuz, canal por onde transitam 17 milhões de barris diários.
WTI para junho encerrou a sessão a US$ 89,67, alta de US$ 2,25, enquanto o Brent de mesmo vencimento avançou US$ 3,00, para US$ 98,48 por barril.
Por que o salto do petróleo importa para juros, dólar e Bolsa?
Um Brent próximo de US$ 100 pressiona cadeias de transporte, fertilizantes e petroquímica, elevando custos que tendem a aparecer nos índices de preços em questão de semanas. Nos EUA, o Core PCE já acumula 2,8% em 12 meses, acima da meta de 2% do Federal Reserve. Qualquer nova alta nos combustíveis pode adiar cortes de juros, jogando o carry trade a favor do dólar e aumentando a aversão a risco em mercados emergentes como o Brasil.
Historicamente, cada variação de 10% no barril acrescenta até 0,2 ponto percentual à inflação global, calcula a Agência Internacional de Energia. Em 2022, quando o Brent superou US$ 120, o IPCA brasileiro acelerou 1,60 p.p. no trimestre subsequente. Analistas da TD Securities avaliam que “não seria preciso muito para que o petróleo ultrapasse rapidamente os US$ 100, caso a trégua termine sem rota segura para o tráfego marítimo”.
O movimento também repercute na B3: produtoras como 3R Petroleum e PetroRio costumam ganhar margem, enquanto companhias aéreas e de varejo, dependentes de combustíveis, veem custos explodirem. Investidores já monitoram os próximos relatórios de estoques da EIA e a próxima reunião da OPEP+, marcada para 1º de junho, que pode rever cortes de oferta.
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Crédito da imagem: Divulgação / MoneyTimes