Petroleiros apreendidos reavivam o risco geopolítico e colocam a B3 no vermelho
Ibovespa – O principal índice da Bolsa brasileira renovou mínimas e caiu até 0,37%, aos 192.176 pontos, afastando-se da marca simbólica de 193 mil nesta quinta-feira, após Washington confirmar a apreensão de navios ligados ao Irã no Estreito de Ormuz. O episódio disparou o preço do petróleo para perto de US$ 105 e azedou o humor global, atingindo diretamente carteiras locais e a percepção de risco.
- Em resumo: Risco geopolítico pressiona ações, eleva DI e derruba o Ibovespa ao menor nível em duas semanas.
Combustíveis e câmbio: a conta chega para o investidor
Com o Brent rompendo a barreira de US$ 103, papéis do setor de consumo sentiram a perspectiva de repasse de preços, enquanto exportadoras dividiram reação. Já o dólar comercial recuou 0,33%, para R$ 4,95, sustentado pelo fluxo externo para renda fixa diante da alta dos juros futuros.
DI jan/27 tocou 14,015%, acréscimo de 0,10 ponto; na ponta longa (2032), a taxa chegou a 13,485%, segundo dados da B3.
Por que 193 mil pontos importam – e o que observar agora
O patamar perdido servia de suporte técnico desde o início de abril e sua quebra aumenta a probabilidade de testarmos a região dos 190 mil, alertam analistas. Historicamente, quedas semelhantes em períodos de estresse externo foram revertidas quando o fluxo de commodities voltou a normalizar, mas, desta vez, o conflito afeta diretamente o corredor que escoa cerca de 20% do petróleo mundial, elevando o prêmio de risco e reacendendo temores inflacionários.
No Brasil, a cautela também se estende à próxima reunião do Copom. A aposta majoritária de corte de 0,25 pp na Selic permanece, mas parte do mercado já precifica ciclo mais lento se o choque de energia persistir. Entre as blue chips, bancos recuaram em bloco – BBAS3 (-0,90%) e ITUB4 (-0,42%) – refletindo o aumento do custo de capital. Petróleo, por sua vez, amenizou perdas do índice, com PETR3 avançando 0,21%.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3