Copom e Fed dividem investidores entre alívio moderado e discurso hawkish
Banco Central do Brasil – Em plena “Superquarta”, o Copom deve reduzir a Selic de 14,75% para 14,50%, enquanto o Federal Reserve tende a manter os juros americanos inalterados. O corte tímido, porém, vem embalado por inflação em alta e geopolítica conturbada, elevando o risco de um comunicado mais duro que pressione Bolsa, dólar e títulos públicos.
- Em resumo: 33 de 37 casas projetam corte de 0,25 pp; um tom hawkish pode reabrir a curva de juros e derrubar ações.
Por que 0,25 pp virou a aposta majoritária
A pesquisa Projeções Broadcast aponta ampla maioria a favor do corte mínimo, reflexo de dados como o IPCA-15 a 0,89% em abril, o maior para o mês desde 2022. Essa deterioração reduziu o espaço para cortes agressivos, explicam analistas do BTG Pactual em relatório citado pela Reuters.
“Apesar de reconhecermos que a política monetária está contracionista, a piora do IPCA e os riscos externos pedem cautela”, escreveu a equipe do banco.
Impacto no bolso: dólar, Tesouro e Ibovespa na mira
Desde a última reunião, o dólar recuou de R$ 5,24 para R$ 4,98, mas um comunicado que “feche a porta” para cortes em junho pode inverter a tendência. Na renda fixa, posições em Tesouro IPCA+ longo sofreriam se a curva abrir; já pós-fixados ganham atratividade num cenário de Selic alta por mais tempo.
Histórico ajuda a entender o nervosismo: a taxa básica não ficava tão elevada por período tão prolongado desde 2017. Nos EUA, o Fed mantém os Fed Funds entre 3,5% e 3,75% e, segundo a ferramenta FedWatch, há 100% de probabilidade de manutenção nesta reunião; cortes só são cogitados para o fim de 2026.
O que você acha? Um Copom mais duro azedaria seus investimentos ou abre chance de compra na Bolsa? Para acompanhar análises em tempo real, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Yuri Gripas / Reuters