Setores clássicos e small caps voltam ao radar dos caçadores de renda
Ibovespa – Mesmo flertando com 199.355 pontos em abril e estacionado acima dos 194 mil pontos recentemente, o principal índice da B3 continua barato na métrica dolarizada – perto de 40 mil pontos, patamar visto há duas décadas. Essa distorção abre espaço para ações que ainda pagam dividendos de até 13%, segundo especialistas ouvidos.
- Em resumo: papéis de bancos, seguradoras, energia e commodities exibem dividend yield projetado entre 5,5% e 13%, mesmo após o rali do índice.
Por que a Bolsa não está “cara” em dólar
Para Luiz Fernando Araújo, da Finacap, a festa só estaria cara se o Ibovespa superasse com folga os 40 mil pontos em dólar. Dados da Reuters mostram que o fluxo estrangeiro sustenta a alta, mas ainda não reprecificou totalmente os ativos.
“Para a Bolsa ser considerada cara deveríamos estar em um patamar bem acima dos 40 mil pontos em dólar”, destaca Araújo.
No curto prazo, um possível cessar-fogo no Oriente Médio, a Selic projetada a 13% no Boletim Focus e as eleições locais adicionam volatilidade. Ainda assim, o estrategista Marco Saravalle, da MSX Invest, lembra que novos cortes de juros nos EUA e no Brasil podem reacender a entrada de recursos e empurrar o índice a novos recordes.
Onde estão os dividendos de dois dígitos
Se o Ibovespa sobe, o investidor de renda passiva busca pechinchas fora do radar. Bruno Oliveira, do Vida de Acionista, define ação “barata” quando o dividend yield estimado para 2026 supera 8%. Nesse filtro, aparecem 13 nomes com retornos entre 5,5% e 13% nos próximos 12 meses.
Entre os destaques, BB Seguridade (BBSE3) e Banco do Brasil (BBAS3) chamam atenção: o setor de seguros ainda é subpenetrado no país, e o banco estatal negocia a 0,7 vez seu valor patrimonial. Já o Itaú (ITUB4) compensa a menor barganha com ROE de aproximadamente 20%.
Especialistas também apontam oportunidades em elétricas, que historicamente repassam caixa aos acionistas, mineradoras ligadas ao minério de ferro e construtoras de baixa renda que podem se beneficiar de programas habitacionais e cortes de juros futuros.
Historicamente, quando a Selic recua – último ciclo foi de 2020 a 2021 –, o prêmio sobre ações pagadoras de dividendos sobe rapidamente, puxando tanto cotação quanto renda. Se o cenário de queda se confirmar a partir de 2026, quem montar posição agora poderá capturar a dupla vantagem: valorização dos papéis e distribuição maior de lucros.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3