Salto da moeda americana acende alerta sobre cenário externo e fiscal
DÓLAR COMERCIAL – Na última sessão, a cotação avançou 0,58% e encerrou a R$ 5,00, rompendo um piso que havia sido preservado por 11 dias e reacendendo preocupações no mercado financeiro brasileiro.
- Em resumo: alta devolve a divisa ao patamar de R$ 5 e reabre debate sobre juros e risco fiscal.
Pressão vinda de fora: Fed e Treasuries empurram câmbio
O movimento ganhou força diante da expectativa de que o Federal Reserve mantenha juros elevados por mais tempo. Na véspera, o rendimento dos Treasuries de 10 anos rondava 4,30%, o maior nível desde março, segundo dados da Reuters. O encarecimento dos títulos de longo prazo atrai fluxo para os EUA e enfraquece moedas de emergentes como o real.
“Cada incremento de 10 pontos-base nos yields dos Treasuries costuma retirar até US$ 1,5 bilhão dos mercados emergentes em poucas semanas”, calcula a consultoria EPFR.
Risco fiscal doméstico complica o quadro e mira a Selic
No front interno, a valorização do dólar coincide com a tramitação de novas despesas no Congresso e com a revisão da meta fiscal de 2024. Investidores pedem prêmio maior: o CDS de cinco anos do Brasil subiu de 129 para 137 pontos na última semana. Embora o Banco Central tenha iniciado o ciclo de cortes da Selic, a volta do câmbio a R$ 5 pode limitar reduções mais agressivas, pois pressiona a inflação via combustíveis e alimentos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central