Tensão geopolítica pressiona ativos e encarece proteção dos portfólios
Ouro à vista — O metal precioso deslizou cerca de 1% recentemente, após o governo dos Estados Unidos declarar que poderá estabelecer um bloqueio naval contra o Irã no Estreito de Ormuz, rota responsável por um quinto do petróleo mundial. O movimento acendeu receios de escalada militar e reduziu o apetite por risco, mas, paradoxalmente, empurrou investidores para o dólar, não para o ouro.
- Em resumo: bloqueio anunciado eleva prêmio de risco global e afasta expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve.
Fuga para o dólar ofusca brilho do metal
Segundo dados compilados pela Reuters, o índice do dólar avançou 0,3%, tornando o ouro — cotado em dólar — mais caro para compradores de outras moedas e, portanto, menos atraente.
Analistas da Futures First preveem que, se o canal de Ormuz sofrer interrupções superiores a 10 dias, o petróleo pode saltar 15%, “empurrando o núcleo de inflação dos EUA acima de 4% e adiando qualquer corte de juros para 2025”.
Fed pode manter juros altos por mais tempo
O mau humor no mercado coincidiu com o último dot plot do Fed, que já indicava apenas um corte em 2024. A nova incerteza geopolítica reforça a tese de política monetária restritiva por período prolongado. Historicamente, cada 1 ponto percentual de alta no rendimento dos Treasuries retira, em média, 2% do preço do ouro no curto prazo, de acordo com série da London Bullion Market Association.
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Crédito da imagem: Divulgação / Exame