Operadoras enxergam brecha de alta margem na corrida digital corporativa
Singtel – A gigante asiática escolheu o Brasil para estrear na América Latina e acendeu o alerta vermelho entre as teles locais: a nova fronteira de crescimento está nos serviços de nuvem, inteligência artificial (IA) e internet das coisas (IoT), não mais na velha assinatura de voz e dados. A movimentação acontece em meio ao “boom digital” que levou o mercado brasileiro de TI a saltar 18,5% em 2025, bem acima da média global de 14,1%.
- Em resumo: Claro, TIM, Vivo e a própria Singtel disputam contratos corporativos que podem somar mais de R$ 5 bilhões ao ano.
R$ 5,2 bi da Vivo expõem o tamanho da oportunidade
A Telefônica Brasil (Vivo) já transformou tendência em resultado: em 2025, a operadora faturou R$ 5,2 bilhões com cibersegurança, nuvem e IoT – avanço de 30% em 12 meses, segundo dados divulgados pela companhia e repercutidos pela agência Reuters. Ainda que apenas 15% da base de telefonia fixe serviços digitais, a assinatura de um contrato de R$ 3,8 bilhões com a Sabesp para instalar hidrômetros inteligentes mostra quão rápido esse percentual pode escalar.
“Mais de 70% das operadoras do mundo aumentaram suas receitas B2B no ano passado”, destaca Camille Mendler, diretora de pesquisa da consultoria Omdia.
Parcerias de peso turbinam IA e nuvem
No início do ano, a Claro selou acordo com powerhouses como Nvidia e Oracle para garantir poder de processamento a projetos de IA generativa. A infraestrutura será usada primeiro em tarefas internas, mas em breve migrará para o portfólio da Claro Empresas, braço que herdou o legado da Embratel e já oferece segurança digital e edge computing.
Já a TIM transformou o agronegócio em laboratório de escala: redes LTE cobrindo fazendas, minas e rodovias devem gerar receita de R$ 1 bilhão em 2025. O próximo passo é decifrar os dados desses sensores com IA da recém-adquirida V8.Tech, entregando painéis de eficiência que podem reduzir custos logísticos e emissões de carbono de grandes produtores.
Pressão competitiva cresce com 5G e incentivos fiscais
O leilão de 5G de 2021 exigiu investimentos bilionários em infraestrutura, mas também abriu a porta para que as teles monetizem a baixa latência junto a fábricas, portos e hospitais. Além disso, a prorrogação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis) até 2026 estimula a produção local de chips, barateando dispositivos IoT e reforçando a tese de receitas recorrentes de serviços digitais.
Para analistas da Alvarez & Marsal, o movimento é questão de sobrevivência: “O que havia para explorar em conectividade pura já foi. Serviços digitais são a rota de fuga”, pontua Renato Paschoarelli, líder de Telecom na consultoria.
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Crédito da imagem: Divulgação / Singtel