Teste de cartas revela viés cognitivo que pode impactar milhões em decisões corporativas
BBC News – Um experimento criado há 60 anos pelo psicólogo britânico Peter Wason voltou ao centro dos debates sobre racionalidade, revelando por que apenas 10% das pessoas escapam de um atalho mental que ainda assombra conselhos de administração e investidores.
- Em resumo: a Tarefa de Seleção mostra como o viés de confirmação leva 9 em cada 10 participantes ao erro.
Por que a maioria erra e o viés de confirmação domina
No teste, quatro cartas exibem “E”, “K”, “4” e “7”. A regra: se há uma vogal de um lado, deve haver um número par do outro. Para validá-la, seria preciso virar “E” e “7”, mas 45% escolhem “E+4” e 35% apenas a “E”. O padrão se repete em diferentes culturas e faixas etárias, segundo revisão publicada pela Reuters sobre finanças comportamentais.
“A tarefa de seleção reflete uma tendência à irracionalidade na argumentação, na medida em que os participantes erram.” – Peter Wason (1968)
Lições para gestores, traders e equipes de RH
O fenômeno não se limita ao laboratório. Estudos de behavioral finance mostram que o mesmo viés custa bilhões de dólares por ano em decisões precipitadas de compra e venda de ativos. No ambiente corporativo, pesquisas da Universidade de Stanford apontam que conselhos que enfrentam deliberadamente hipóteses contrárias aumentam em até 25% a precisão de previsões estratégicas.
Especialistas recomendam três contramedidas práticas: incluir um “advogado do diabo” em reuniões críticas, exigir dados que possam refutar a proposta dominante e registrar publicamente previsões para posterior auditoria. A implementação dessas práticas tem ganhado força, sobretudo após choques recentes – como a volatilidade desencadeada pelo ciclo de alta de juros global entre 2021 e 2023 – que expôs falhas de avaliação interna em grandes empresas de tecnologia e instituições financeiras.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC News