Evento do BB expõe que “pior ano” ficou para trás, mas alívio virá a conta-gotas
Banco do Brasil (BBAS3) – No “BB Day”, a direção admitiu que 2025 foi o ponto mais crítico da carteira agro e que 2026 ainda carregará o custo dessa inadimplência, retardando a volta do lucro “normal” para 2027.
- Em resumo: provisões para o agro saltaram de R$ 800 mi para R$ 8 bi e o lucro projetado para 2026 cai 11% ante consenso.
Provisões turbinadas e recuperação em formato de “W”
Segundo o JPMorgan, o lucro por ação de 2026 deve ficar em R$ 20,6 bilhões, patamar idêntico ao de 2025 e 11% abaixo do consenso Bloomberg.
“A gestão reconheceu que a melhora na originação só se traduzirá em lucros em 2027, criando uma trajetória em ‘W’, não em ‘V’”, destacou o relatório do banco americano.
Por que o agro ainda pressiona o balanço?
O banco enfrenta safras legadas: 80% dos vencimentos de curto prazo ainda seguem regras de crédito antigas, menos rigorosas. A pontualidade de pagamentos desabou para 92% em 2025, e a administração espera apenas 95% em 2026 – abaixo da média histórica de 99%.
Além disso, o conflito no Oriente Médio encareceu fertilizantes em cerca de 80%. Se os preços não recuarem até julho, o custo de produção sobe, margens dos produtores encolhem e a demanda por refinanciamento aumenta, prolongando a pressão sobre as provisões.
O que o investidor deve monitorar agora
No curto prazo, o foco recai sobre três variáveis: 1) velocidade da “recalibragem” de modelos de crédito; 2) comportamento da inflação de insumos agrícolas; 3) impacto climático do El Niño em 2027. Qualquer surpresa positiva nesses pontos pode antecipar a normalização dos resultados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco do Brasil