Spread sobe e mercado lê apetite da gigante por ativos japoneses
Berkshire Hathaway levantou ¥272,3 bilhões em seis séries de títulos atrelados ao iene, primeira emissão desde a saída de Warren Buffett da cadeira de CEO, num momento de maior volatilidade nos juros do Japão.
- Em resumo: notas de 10 anos saíram a 3,084%, 90 pontos-base acima do benchmark, superando o cupom de 2,422% da emissão de 2025.
Cupons mais salgados expõem custo do dinheiro em Tóquio
Apesar do cenário incerto, a oferta teve demanda robusta, segundo fontes citadas pela Bloomberg. O spread ficou acima dos 85 pbs inicialmente sugeridos em abril, refletindo prêmio de risco adicional exigido pelos investidores.
As notas de 10 anos da Berkshire foram precificadas com rendimento superior ao de alguns emissores Samurai com rating mais baixo, como Credit Agricole SA e a República da Polônia em 2026.
Por que o mercado japonês segue atraente para Omaha
A empresa já detém participações em cinco grandes casas de trading e acertou aporte de cerca de ¥300 bilhões na seguradora Tokio Marine, reforçando a tese de que o Japão, com taxa básica ainda perto de zero e empresas cheias de caixa, continua no radar de grandes investidores globais.
No pano de fundo, o Bank of Japan iniciou em março o primeiro ciclo de aperto desde 2007, mas os rendimentos dos JGBs de 10 anos seguem abaixo de 1%. Esse desequilíbrio empurra capitais em busca de retorno para papéis corporativos – e permite à Berkshire alongar dívida em até 30 anos mesmo pagando juros maiores que governos europeus de rating semelhante.
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Crédito da imagem: Kim Kyung-Hoon / Reuters