Gestora vê estrutura mais robusta e regulações distintas em relação a 2008
JGP Asset Management – A gestora carioca saiu em defesa do mercado de crédito privado norte-americano, avaliado em colossais US$ 3 trilhões, argumentando que o segmento nada tem a ver com o subprime que detonou a crise de 2008 e que, além disso, o Brasil opera sob regras totalmente diferentes.
- Em resumo: Operações são majoritariamente sêniores e com garantias, reduzindo risco sistêmico, segundo a JGP.
Por que o crédito privado dos EUA não preocupa a gestora
De acordo com estimativas do Morgan Stanley, publicadas pela Reuters, o private credit ultrapassou US$ 3 trilhões sem gerar sinais de alavancagem fora de controle. A JGP reforça que as operações são estruturadas como first-lien (dívida sênior), com covenants rigorosos e monitoramento trimestral de fluxo de caixa.
“Diferentemente das hipotecas subprime, a inadimplência não explode em cadeia porque os contratos têm garantias reais e trigger de amortização”, sintetiza a casa de investimentos.
Outro ponto citado é a participação de investidores institucionais – fundos de pensão e seguradoras – que, em busca de rendimento acima dos Treasuries, impõem due diligence mais pesada que a vista em 2007-2008. Além disso, boa parte das taxas é flutuante, acompanhando o Fed Funds, o que protege margens em ciclos de alta de juros.
Brasil: garantias robustas, indexação ao CDI e regulação apertada
No mercado doméstico, o crédito privado equivale a pouco mais de 15% do PIB e está concentrado em debêntures, CRIs/CRAs e FIDCs com rating local elevado. Diferente dos EUA, a maior parte dos papéis é atrelada ao CDI, hoje em 10,75% ao ano, o que oferece colchão de proteção ao investidor quando o Banco Central sobe a Selic.
Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários obriga divulgação pública de informações trimestrais, reduzindo assimetria. O histórico recente também joga a favor: mesmo durante a pandemia, os índices de default de debêntures não passaram de 2,5%, muito abaixo do observado em high-yield americano no mesmo período.
O que você acha? O private credit pode se manter resiliente se o Fed alongar o ciclo de juros? Para mais análises do mercado de capitais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / JGP