Mineradora perde fôlego e índice não acompanha alívio cambial
Ibovespa – O principal termômetro da Bolsa brasileira virou para o campo negativo nesta sessão, mesmo com o recuo expressivo do dólar para abaixo de R$ 5,00, movimento que em tese favorece entrada de fluxo estrangeiro.
- Em resumo: Dólar caiu 1,2% para R$ 4,99, mas as ações da Vale recuaram 2% e puxaram o índice para baixo.
Por que o real ganhou força no câmbio?
Operadores apontam que a combinação de expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos e aumento de carry trade para o Brasil impulsionou o real. Segundo dados da Reuters, investidores migraram para moedas de países com juros mais altos após a divulgação de indicadores mais fracos da economia norte-americana.
Vale (VALE3) recuou cerca de 2%, retirando aproximadamente 1,5 ponto percentual do Ibovespa, que passou a operar em leve baixa mesmo com 65% das ações em alta.
Commodities em queda e sinal da China pressionam mineradoras
O humor azedou após novos indicadores chineses sugerirem desaceleração da construção civil, setor que responde por quase metade da demanda global de minério de ferro. O preço da tonelada em Qingdao cedeu 1,8% e renovou mínima de quatro semanas, elevando a cautela sobre os papéis da Vale e de siderúrgicas.
Analistas lembram que, historicamente, a B3 reage de forma sensível às oscilações do minério: a Vale sozinha representa perto de 15% da carteira teórica do Ibovespa. Em 2022, por exemplo, cada variação de 1% no preço da commodity impactou o índice em até 0,20 ponto percentual, de acordo com cálculos da XP.
No cenário doméstico, a manutenção da Selic em 13,75% garante diferencial de juros atraente ao real, mas a ata do Copom divulgada recentemente reforçou que o Banco Central depende de ancoragem das expectativas fiscais para iniciar o ciclo de cortes.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3