Liquidações expõem o poder de fogo do fundo garantidor
Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – Em pouco mais de quatro meses desde a primeira liquidação extrajudicial, o fundo já devolveu R$ 49,4 bilhões aos correntistas de Master, Will Bank e Banco Pleno, aliviando a tensão sobre poupadores e testando a robustez da engrenagem que protege depósitos no País.
- Em resumo: 97,87% do valor devido ao conglomerado Master já foi quitado pelo FGC.
Recuperação recorde em três bancos problemáticos
O conglomerado Master – que inclui Banco Master, Master de Investimento e Letsbank – consumiu sozinho R$ 39,7 bilhões, contemplando 915 mil credores. No Will Bank, o pagamento avança em velocidades distintas: saldos acima de R$ 1 mil já somam R$ 5,3 bilhões (86,96% do total), enquanto a faixa até R$ 1 mil ainda chegou a apenas 19,12% dos beneficiários. Já o Banco Pleno teve 89,35% do montante solucionado, totalizando R$ 4,3 bilhões, segundo dados compilados pelo FGC e confirmados pela Reuters.
No caso Master, 92,67% dos clientes elegíveis receberam o dinheiro diretamente pelo aplicativo do FGC, etapa que pode ser concluída nas próximas semanas.
Pressão sobre liquidez e lições para investidores
Para honrar a maratona de saques, o fundo antecipou 60 meses de contribuições das instituições financeiras, reforçando o caixa em R$ 32,5 bilhões. A medida foi crucial num cenário de juros básicos ainda em 9,00% ao ano e margens de intermediação apertadas, lembrando que a SELIC só começou a ceder em meados de 2025. A capacidade de resposta reduz a percepção de risco sistêmico, mas acende alerta sobre o monitoramento contínuo de bancos médios, historicamente mais vulneráveis a choques de liquidez.
Especialistas apontam que episódios como o de Daniel Vorcaro – pivô das investigações que levaram às liquidações – reforçam a importância de diversificar aplicações, conferir o limite de R$ 250 mil por CPF e Instituição e, sobretudo, avaliar balanços antes de buscar taxas acima da média do mercado.
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Crédito da imagem: Divulgação / FGC