Sindicato eleva pressão salarial e provoca cancelamentos em série na malha europeia
Lufthansa – Uma greve convocada pelo sindicato UFO, que se estende da meia-noite às 22h desta sexta-feira (10), já cancelou 580 dos 1.350 voos programados só em Frankfurt, travando a rotina de 72 mil passageiros e obrigando a companhia a rever custos com reembolsos, hospedagem e logística.
- Em resumo: Até 100 mil viajantes podem ser impactados em 11 aeroportos alemães.
Salários até 35% maiores estão no centro do impasse
O estopim foi o acordo costurado pelo sindicato rival Verdi com a subsidiária Cityline: reajuste básico entre 20% e 35%, férias extras e melhor previdência até março de 2029, segundo detalhou a Reuters. Como a matriz pretende encerrar a Cityline ainda em 2026, cerca de 800 postos de trabalho entraram no radar de cortes, elevando a tensão nas negociações.
“Cancelar 580 voos num único dia é completamente desproporcional”, criticou o CEO Jens Ritter, enquanto o UFO diz que a paralisação “era inevitável diante do impasse”.
Pressão financeira e histórico de greves preocupam investidores
Esta é a terceira paralisação na Lufthansa em apenas dois meses. O ciclo de greves tem potencial para elevar despesas não planejadas justamente quando o setor aéreo europeu enfrenta custos maiores de combustível e juros ainda altos no bloco. Em 2025, a transportadora registrou margem operacional de 6,2%, abaixo da média pré-pandemia, e qualquer novo gasto pressiona o guidance de 8% divulgado ao mercado.
Além disso, a interrupção coincide com a retomada da demanda por voos corporativos na zona do euro, que cresceu 12% no último trimestre, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Caso o impasse persista, analistas temem que viajantes mudem de rota para concorrentes como Air France-KLM e Ryanair, prejudicando a receita unitária da Lufthansa no verão europeu.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS – Heiko Becker