Descompasso na governança expõe custo recorde e pressiona acionistas
Hapvida – A operadora de saúde entrou no radar do mercado ao projetar um desembolso de R$ 57 milhões para remunerar seus nove conselheiros em 2026, cifra que devorará cerca de 20% do lucro estimado para o período, segundo carta da gestora Squadra divulgada recentemente.
- Em resumo: Conselho da Hapvida custa 16 vezes mais, proporcionalmente, que o segundo mais caro do Ibovespa.
Por que o cheque do conselho pesa tanto no Brasil
No modelo dominante entre companhias abertas, 80% pagam honorários fixos em dinheiro, sem vínculo com o desempenho das ações, revelam dados do Valor Econômico. Esse desenho transforma o conselheiro em prestador de serviço, não em sócio de longo prazo.
Os conselheiros da Hapvida podem consumir R$ 57 mi em um único ano — o maior peso relativo já visto no Ibovespa, aponta a Squadra.
Referência global mostra outro caminho
Nos Estados Unidos, 96% das empresas do S&P 500 pagam parte da remuneração em ações restritas (RSUs), diluindo o conflito de interesses e alinhando decisões de longo prazo. Na Europa, a prática supera 90%. Analistas lembram que planos similares já começam a surgir em nomes como Totvs e Itaú, enquanto a joalheria Vivara enfrentou críticas de investidores ao propor stock options que poderiam transferir 1% do capital a um único conselheiro, fato relatado pelo Brazil Journal.
O contraste reflete a estrutura acionária local: muitas empresas brasileiras mantêm um controlador definido, dispensando mecanismos adicionais de alinhamento. Ainda assim, consultorias como ISS e Glass Lewis recomendam estender incentivos de longo prazo – preferencialmente RSUs com vesting de pelo menos dois anos – a todos os membros do colegiado.
O que você acha? Conselheiros deveriam ter parte do salário atrelado às ações para compartilhar riscos com os investidores? Para mais análises sobre governança corporativa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Hapvida