Especialistas revelam como virar o jogo mesmo com o crédito mais salgado em anos
Quartavia Consultoria — Em meio a um ciclo de juros ainda acima de dois dígitos, o sonho da casa própria parece distante, mas a pressão nos preços e nas parcelas cria brechas para quem age com estratégia, alertam planejadores financeiros.
- Em resumo: taxa de 15% ao ano encarece o financiamento e abre espaço para descontos de até 13% nas compras à vista.
À vista, descontos se aproximam do recorde histórico
Dados da pesquisa Raio X Fipe-Zap indicam que 67% das negociações fechadas em março ocorreram com algum abatimento, perto do pico de 70% da série. O desconto médio bateu 13%, tendência que pode ganhar força enquanto a Selic se mantém elevada, segundo analistas consultados pela Reuters.
“Há uma demanda reprimida pronta para voltar quando os juros caírem; quem tem caixa agora consegue barganhar”, destaca João Arthur Almeida, da Suno Consultoria.
Financiamento caro exige entrada robusta e portfólio líquido
A simulação de Almeida é cristalina: num imóvel de R$ 1 milhão, a taxa de 15% significa R$ 150 mil só de juros no primeiro ano. Para driblar o impacto, especialistas sugerem aportar a maior entrada possível e manter uma reserva em aplicações pós-fixadas – Tesouro Selic ou fundos DI – que atualmente rendem cerca de 14% ao ano. Com inflação estimada em 5%, o ganho real continua perto de 9% ao ano, patamar difícil de repetir em produtos de baixo risco.
Se o prazo para a compra for superior a cinco anos, papéis atrelados à inflação podem entrar na carteira. Contudo, à medida que a data se aproxima, o dinheiro deve migrar para opções com liquidez imediata, evitando perder oportunidades relâmpago de preço ou leilões judiciais.
Planejamento evita armadilhas regulatórias e abre oportunidades
Para Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos, definir objetivo, prazo e perfil de risco é etapa indispensável antes de escolher qualquer aplicação ou assinar contrato. Exemplos recentes de investidores que compraram unidades de programas sociais para locação e agora encaram barreiras legais reforçam a importância de pesquisar a fundo regras municipais e estaduais.
Financiamento pelo Sistema Financeiro da Habitação ou linhas do Minha Casa Minha Vida continuam no radar quando a parcela se aproxima do valor do aluguel. Já o consórcio surge como alternativa para quem não tem pressa: a taxa de administração por juros simples diminui o custo efetivo total em relação ao crédito imobiliário tradicional.
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