Acordo de cogestão muda o poder de decisão na petroquímica e mira expansão
Petrobras comunicou, na última quinta-feira (23/04), que renunciou ao direito de preferência e ao tag along na Braskem, optando por um novo acordo que institui controle compartilhado com o Shine I FIP. A movimentação preserva a fatia de 36,1 % no capital total, mas condiciona qualquer decisão estratégica ao aval conjunto das duas partes, redesenhando o tabuleiro da maior petroquímica da América Latina.
- Em resumo: estatal fica sem ampliar participação agora, porém ganha poder de veto simétrico em conselho e diretoria.
Por que a Petrobras abriu mão de comprar ou vender ações agora?
A desistência de exercer a preferência ocorre após a Novonor acertar a venda de sua posição na companhia. Segundo dados da Reuters, o mercado avaliava a hipótese de a petroleira elevar a exposição para além dos atuais 47 % das ações ON. A diretoria, contudo, julgou mais vantajoso travar um pacto de governança que assegura influência decisiva sem desembolso imediato ou risco de pulverizar valor.
Petrobras permanece com 36,1 % do capital e 47 % das ações ordinárias, agora amparada por voto paritário em todos os colegiados da Braskem.
Impacto no caixa, nos dividendos e na cadeia petroquímica
Ao evitar novos aportes, a estatal conserva liquidez num momento em que o Brent ronda US$ 85 e pressões por investimentos em transição energética crescem. Para a Braskem, manter a Petrobras como sócia relevante atenua dúvidas sobre fornecimento de nafta e garante acesso estratégico a gás natural.
Economistas lembram que, em 2020, cortes de produção global fizeram o preço do polietileno saltar 50 % em 12 meses; acordos de cogestão como este tendem a dar previsibilidade à oferta doméstica, o que influencia desde embalagens até o agronegócio.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil