Revisão eleva Selic, mas fluxo para emergentes sustenta otimismo cambial
Bradesco – Em relatório divulgado em 30 de abril, o banco ajustou a projeção da taxa Selic para 12,75% ao fim de 2026 e, ao mesmo tempo, reduziu a expectativa para o dólar de R$ 5,35 para R$ 5, mantendo o novo patamar também para 2027, sinalizando ambiente favorável ao real.
- Em resumo: Selic mais alta, porém real valorizado com dólar a R$ 5 nos próximos dois anos.
Por que o real pode se valorizar mesmo com juros maiores?
A instituição avalia que a volta dos mercados emergentes ao radar global aumenta o ingresso de capital estrangeiro, reforçando a moeda brasileira. Esse movimento coincide com a aposta internacional em ativos de maior retorno, favorecida por um cenário de dólar global mais fraco.
“Nosso cenário de um dólar que não se fortalece se mantém, em razão de políticas econômicas como a expansão fiscal, a agenda tarifária e algum enfraquecimento institucional”, diz o documento do banco.
Selic revista e impacto na inflação
O Bradesco elevou a previsão da Selic para 12,75% citando a persistência de riscos inflacionários, como o fechamento do estreito de Ormuz e a disparada do petróleo. Como o Brasil é grande exportador de petróleo bruto, a alta de preços e volumes exportados deve reforçar a balança comercial, gerando mais entrada de dólares e sustentando a queda da divisa norte-americana frente ao real.
Historicamente, cada US$ 10 de aumento no barril de Brent adiciona cerca de 0,1 ponto percentual ao superávit comercial brasileiro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. Esse colchão externo tende a compensar parte da pressão inflacionária interna, o que justifica a cautela do Comitê de Política Monetária (Copom) em acelerar cortes de juros.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images