Coalizão acusa recurso “Name Tag” de facilitar perseguição e violência
Meta Platforms – Na última segunda-feira, uma carta assinada por 70 organizações de direitos civis exigiu que a Big Tech suspenda o lançamento do reconhecimento facial em seus óculos Ray-Ban e Oakley, alegando que a função “Name Tag” criaria um mercado paralelo de identificação silenciosa com potencial de atrair predadores e agências de vigilância.
- Em resumo: Grupos querem que a Meta abandone o recurso antes da estreia comercial, citando riscos “irresolvíveis”.
Name Tag pode transformar a rua em banco de dados ambulante
Segundo documento obtido pelo Reuters, engenheiros testam duas versões da ferramenta: uma restrita a amigos das plataformas da companhia e outra capaz de identificar qualquer usuário com perfil público, ampliando o alcance de dados biométricos em tempo real.
“A identificação automática destruirá o conceito de anonimato em espaços públicos e não pode ser mitigada com simples botões de desligar”, alerta o Electronic Privacy Information Center (EPIC).
Pressão regulatória ameaça receitas e valor de mercado da Big Tech
Esse episódio aumenta o escrutínio sobre a Meta, já alvo de multas bilionárias sob o GDPR europeu e de investigações da FTC nos EUA. Analistas lembram que, após o escândalo Cambridge Analytica, a companhia perdeu US$ 119 bilhões em valor de mercado em apenas um pregão. Um novo revés regulatório poderia impactar o fluxo de caixa justamente quando a Reality Labs, divisão de wearables e metaverso, acumula prejuízos superiores a US$ 40 bilhões desde 2020.
Nos EUA, projetos de lei como o American Data Privacy and Protection Act, parados no Congresso, podem ganhar tração diante da polêmica. Já na União Europeia, a Lei de Inteligência Artificial — aprovada em março — classifica o reconhecimento facial em locais públicos como “alto risco”, exigindo avaliação de impacto e consentimento explícito.
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Crédito da imagem: Divulgação / Meta