Aumento explosivo de queixas expõe falha na proteção ao idoso
INSS – O desconto automático da Reserva de Margem Consignável (RMC) já drenou R$ 4,1 bilhões dos benefícios em 2025 e fez as reclamações de aposentados saltarem de 105 mil para 220 mil em apenas dois anos, escancarando um risco de endividamento crônico que pode atravancar o orçamento familiar por décadas.
- Em resumo: cartão de crédito consignado cobra juros mensais de até 2,46% e prende segurados a parcelas que nunca quitam o saldo.
Como a “dívida eterna” nasce: do saque fácil ao desconto vitalício
O saque rápido, liberado por telefone, vai para a fatura do cartão no mês seguinte. Se o idoso não pagar o valor integral, o banco desconta automaticamente o mínimo do benefício, mantendo o débito no rotativo. Segundo dados oficiais do Banco Central, o rotativo tradicional custa em média 9% ao mês, quase quatro vezes a taxa máxima permitida no consignado, mas ainda suficiente para prolongar a obrigação ad infinitum.
Cálculo do Instituto Defesa Coletiva mostra que um saque de R$ 1 mil pode levar até 30 anos para ser liquidado, mesmo com pagamento mensal – por causa dos encargos e do IOF embutidos na fatura.
Pressão macroeconômica: crédito barato, risco caro
Em um cenário de Selic em trajetória de baixa, hoje a 10,50% ao ano, bancos buscam manter margens oferecendo linhas “mais baratas” aos aposentados. O estoque total de crédito consignado superou R$ 620 bilhões em abril, o dobro de 2018, enquanto a renda média real dos beneficiários cresceu apenas 11% no mesmo período. O descasamento agrava a vulnerabilidade financeira de uma população que já destina, em média, 41% da renda a dívidas, segundo a CNC.
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Crédito da imagem: Divulgação / INSS