Escalada geopolítica pressiona curva e muda apostas na Selic
Banco Central – As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam a quinta-feira em forte alta, refletindo a incerteza sobre o cessar-fogo entre Washington e Teerã e reacendendo o debate sobre o tamanho do próximo corte da Selic.
- Em resumo: DI jan/28 bateu 13,685% (+26 p.b.); pico do jan/35 foi 13,695% às 14h18.
Tensão no Golfo dispara prêmio de risco
O mercado local reagiu ao noticiário de que o presidente dos EUA manteve em suspenso os ataques ao Irã, enquanto autoridades iranianas negaram ter acordado extensão da trégua. O tráfego ainda restrito no Estreito de Ormuz – por onde passa 20% do petróleo mundial – elevou o preço do barril e, por tabela, o custo de produção global. Segundo a Reuters, defesas aéreas foram acionadas em território iraniano mesmo durante o suposto cessar-fogo.
Taxa do DI jan/28 saltou 25,9 pontos-base, enquanto o jan/35 avançou 17,5 p.b. no ajuste – níveis semelhantes aos observados na crise do petróleo em 2022.
Impacto imediato: crédito mais caro e Selic sob escrutínio
A reprecificação da curva ocorre às vésperas da reunião do Copom. Até a semana passada o consenso projetava corte de 50 p.b., mas o movimento desta quinta reduz a probabilidade para 25 p.b., segundo operadores. A Selic está em 14,75% ao ano, patamar que encarece linhas de capital de giro e pressiona o custo das LTN do Tesouro Direto.
O salto dos rendimentos também acompanha o avanço dos Treasuries de 10 anos, que subiram a 4,325% no fim da tarde. Historicamente, cada 10 p.b. de alta nos títulos americanos adiciona, em média, 6 p.b. aos DIs longos brasileiros, ampliando o spread exigido por investidores estrangeiros.
No front fiscal, o Ministério da Fazenda prometeu reduzir as alíquotas de PIS/Cofins sobre a gasolina para mitigar o choque do petróleo. Medidas semelhantes em 2023 seguraram a inflação em 0,4 p.p., mas tiveram custo estimado de R$ 11 bilhões ao erário, lembram economistas.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS