Alta no número de xícaras esbarra em corte de despesas e muda a rota das cafeterias
Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) — A mais recente pesquisa de hábitos de consumo mostra que, mesmo após um biênio de aperto no orçamento familiar, 26% dos brasileiros seguem ingerindo mais de seis xícaras de 50 ml diariamente, enquanto 24% reduziram a dose ao longo de 2025.
- Em resumo: brasileiro bebe muito café, mas agora caça preço baixo e evita cafeterias.
Marcas baratas dominam gôndolas; atacarejo ganha terreno
A virada de chave acontece no ponto de venda: 39% dos entrevistados passaram a escolher “a marca mais barata”, quase dois terços acima do nível de 2023. O avanço dos atacarejos para 28,2% das vendas confirma essa guinada, alinhada ao movimento geral de troca por embalagens econômicas, segundo dados da Reuters sobre demanda global de café.
Entre 2019 e 2025, a fatia de consumidores que preferem o coador de pano caiu 7 p.p., mas ele ainda reina em 52% dos lares.
Contexto macro: inflação pressiona carteira, mas cultura do café resiste
O recuo inédito no consumo ocorre num cenário de inflação acumulada de 4,62% nos 12 meses até março, puxada justamente pelos alimentos, segundo o IPCA. Ainda assim, o grão arábica negociado em Nova York subiu 15% no mesmo intervalo, elevando custos da indústria nacional. Analistas lembram que, em 2022, a cadeia já havia sentido o choque das geadas em Minas Gerais e o repasse de preços vem sendo gradual desde então.
Mesmo com o bolso apertado, 63% dos brasileiros afirmam beber café para “melhorar o humor e a disposição”; o item “degustar e saborear” ganhou quatro pontos percentuais, indicando espaço para nichos premium quando a renda voltar a crescer.
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Crédito da imagem: Divulgação / Instituto Axxus