Fluxo estrangeiro perde ritmo e juros altos seguram o rally da Bolsa
Ágora Investimentos – Depois de cravar 18 recordes em 2026 e beijar os 200 mil pontos, o Ibovespa perdeu força nas últimas semanas, fechando abril no zero a zero e levantando dúvidas sobre o desempenho de maio.
- Em resumo: saída de capital externo, petróleo volátil e Selic resistente esfriam o apetite por ações.
- Radar de maio: balanços do 1T26 e carteiras de dividendos podem destravar valor.
Capital estrangeiro diminui ritmo e pressiona o índice
O fluxo internacional, que inundou o mercado brasileiro desde o fim de 2025, perdeu intensidade. Dados compilados pela Reuters mostram que, em abril, a entrada líquida de recursos na B3 caiu quase 40% frente à média dos três meses anteriores.
“Quando esse capital para de entrar com a mesma força, a Bolsa naturalmente sente. Foi isso que vimos quando o índice ensaiou os 200 mil pontos e recuou”, explica Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora.
Petróleo volátil e Selic resistente ampliam a cautela
O vai-e-vem geopolítico no Oriente Médio manteve o barril entre US$ 85 e US$ 125 em abril, derrubando RECV3 (-7,48%) e limitando o avanço de PRIO3 (+0,24%) e PETR4 (+1,72%). Ao mesmo tempo, a inflação persistente empurrou o mercado a precificar cortes de Selic menores – de 0,50 p.p. para 0,25 p.p. – mantendo a taxa em patamar ainda de dois dígitos e, portanto, a renda fixa mais atraente.
Historicamente, cada ponto percentual extra na Selic retira cerca de R$ 12 bilhões em valor presente das empresas listadas, segundo cálculos da Fundação Getúlio Vargas. Esse “freio” explica por que setores de varejo e educação seguem descontados mesmo após o rali de janeiro.
Temporada de balanços e foco em dividendos podem reacender o otimismo
A largada dos resultados do 1T26 deve trazer visibilidade a setores defensivos. A Ágora reforçou a carteira de proventos com AURE3, CPLE6, ITSA4 e TIMS3, companhias que combinam fluxo de caixa previsível e payout disciplinado. Caso o conflito no Oriente Médio arrefeça e o Banco Central sinalize cortes mais robustos, o índice pode retomar a trajetória de alta ainda no semestre.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3